domingo, 24 de fevereiro de 2008

Combater a fome a partir das cidades

(*) Foto: Antônio Coquito

(*) Por Antônio Coquito


Matéria publicada em diversos veículos, na ocasião eu fazia a assessoria de comunicação do CONSEA de Minas.


O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável - Consea de Minas promove o Encontro Estadual "Sistemas Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável". O evento acontece de 09 a 11 de junho de 2006, no Sesc de Contagem. A grande tônica será discutir como o município pode assumir atitudes efetivas de combate à fome.


Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, divulgados no último mês de maio, no Brasil existem 72 milhões de pessoas e, em Minas Gerais, 942 mil em condições de indigência alimentar. Representantes de diversos municípios e regiões do Estado, a partir da realidade local, estarão avaliando, interagindo e, traçando estratégias para a implantação e implementação de políticas públicas de reversão do quadro de insegurança alimentar e nutricional. Muitos municípios têm experiências criativas e exitosas de reversão de situação de risco alimentar.


De Veredinha, Carbonita, Berilo, Francisco Badaró e Virgem da Lapa os programas de apoio às feiras livres no Alto e Médio Jequitinhonha. As feiras contribuem para a agricultura familiar e alimentação saudável, além de geração de renda. Do município de Extrema, a experiência de educação comunitária e em escolas, para o melhor aproveitamento dos alimentos, do Centro de Referência em Segurança Alimentar. As atitudes nos municípios tem significado mais qualidade de vida para suas populações. Redução. Outras iniciativas, integrarão às apresentadas.


Para Dom Mauro Morelli, presidente do Consea-MG, a alimentação adequada deve ser "o primeiro direito assegurado aos nascituros e a cada ser humano". E, neste sentido, o presidente amplia para uma visão ampla das condições de vida digna. "Somos todos igualmente necessitados de alimento, a cada instante de nossa vida. Não importa a idade, a raça, o gênero, a classe social". E, emenda afirmando que "sem luz e oxigênio, sem ternura e carinho, sem leite materno, sem pão e queijo, sem arroz e o feijão, o ser humano não se desenvolve; definha e morre".


O encontro "Sistemas de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável" pretende provocar a criação de ações locais, nas cidades, que articulem iniciativas de governos, sociedade civil e iniciativa privada, numa visão intersetorial. Estas, levando em conta as características das regiões, mas, num único objetivo: incentivar ações públicas para programas e projetos de promoção da educação alimentar, de resgate e valorização de formas culturais de alimentação saudável, do aproveitamento otimizado dos alimentos, do enriquecimento dos cardápios escolares etc. E, no aspecto ambiental, atitudes agroecológicas de produção. Ou seja, produzir sem degradar o meio ambiente, prejudicar os mananciais de água etc. Na compreensão política de que segurança alimentar e nutricional perpassa políticas intersetoriais de saúde, educação, abastecimento, assistência social, direitos humanos etc.


O sistema existirá com a criação do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável - CMSANS, que aproxima o diálogo governo e sociedade, em cada cidade. Junto à estrutura dos Conselhos, os municípios devem criar os planos, previsões orçamentárias e fomentar as discussões em Conferências, para a construção das iniciativas que, transformadas em políticas, atendam à realidade local.
Antônio Coquito é jornalista socioambiental com especialização em Marketing e Comunicação com ênfase em temáticas sociais -Terceiro Setor- Responsabilidade Social - Políticas Públicas. Também em Comunicação e Direitos Humanos com ênfase em Educação e Cidadania

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